SECA

Ouço com mágoa a oração dos campos,

A terra ressequida a implorar por chuva,

Vejo pouco leite a sair dos figos lampos

E os bagos a morrerem tísicos na uva.

 

É num quadro assim de agonia coletiva

Que tudo parece desmoronar-se em dor

Que acontece o milagre de estar viva

A mais frágil e percetível marca da flor.

 

As aves recém-nascidas morrem à sede

A comtemplarem rios de água, enxutos:

Eis que caem sem terem corda nem rede

Porque são novos e ainda pouco astutos.

 

Nos campos, como no teu singelo rosto,

Algo resiste a todas as contrariedades

E permite que se comemore em agosto

A gratidão em todas as aldeias e cidades.

 

Se me convidas para a dança de improviso

Nessa expansão de júbilo tão contagiante

Respondo com afeto que o mais que preciso

É poder contar com esses olhos de diamante. 

Júlio Fagus (5/9/2025)

Comentários

  1. Anónimo5/9/25 13:12

    Parabéns por este magnífico poema.
    Custa muito observarmos a seca e todos juntos ou em separado desejamos chuva mas está é malandra e não aparece pelo menos por enquanto.
    Aguardemos por ela com fé e esperança k ela virá e k não traga quaisquer tipo de prejuízo para ninguém nem para nada.


    Um abraço .

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

OS OUTROS

CRENDICES

APRESENTAÇÃO