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A mostrar mensagens de setembro, 2025

OBJETIVOS CLAROS

Perguntas-me razões válidas para o esforço Que me vês fazer sem reparar no horário? É essa a minha condição ao dobrar o dorso Na ingente tarefa de cumprir o meu fadário.   Jogo o jogo da vida com vontade de vencer Aposto no trabalho e acredito nessa aposta Sei que há todo um caminho para percorrer E que nem sempre se faz o que se gosta.   O nosso desejo tem o seu limite no possível As nossas opções podem ser entre dois bens; Nada há que seja, à partida, tão desprezível Que te cobice o pouco ou muito que tens.   Luto por ti, por nós e pelo nosso amor, Determinado a um esforço suplementar Com momentos de alegria a anular a dor Que tenazmente insiste em querer ficar.   Alegro-me com o que tenho ou venha a ter Como fruto maduro do esforço no trabalho, A melhor forma de concretizar um querer Que ponha à evidência quanto eu valho.  Júlio Fagus (28/9/2025)

REVOLTA

Revolta-me a revolta que me consome Por sentir que tudo vai continuar igual Com tanta gente boa a morrer de fome Sem esperança de solução para esse mal.   Revolta-me ver que crescer os tiranos Com garras cravadas no poder do povo E assim se perpetuam por muitos anos Sem que o sol nos traga algo de novo.   Revolta-me ouvir discursos de mentira Com floreado multicolor e bom aroma De quem sabe ao que um povo aspira Ante quem o quer ver sempre em coma.   Revoltam-me as notícias dos jornais Escritas por artistas no uso da falácia Que negam sem pudor valores dos pais Contando que isso resulte com eficácia.   Revolta-me a guerra movida ao interior Como se fosse um estorvo a este país, Mas gritarei bem alto, aqui ou onde for, Que é nele que me encanto e sou feliz.  Júlio Fagus (13/9/2025)

SECA

Ouço com mágoa a oração dos campos, A terra ressequida a implorar por chuva, Vejo pouco leite a sair dos figos lampos E os bagos a morrerem tísicos na uva.   É num quadro assim de agonia coletiva Que tudo parece desmoronar-se em dor Que acontece o milagre de estar viva A mais frágil e percetível marca da flor.   As aves recém-nascidas morrem à sede A comtemplarem rios de água, enxutos: Eis que caem sem terem corda nem rede Porque são novos e ainda pouco astutos.   Nos campos, como no teu singelo rosto, Algo resiste a todas as contrariedades E permite que se comemore em agosto A gratidão em todas as aldeias e cidades.   Se me convidas para a dança de improviso Nessa expansão de júbilo tão contagiante Respondo com afeto que o mais que preciso É poder contar com esses olhos de diamante.  Júlio Fagus (5/9/2025)