COMPREENSÃO?
Escuto a voz do silêncio a suplicar
Trégua na guerra que faço comigo:
Encontro em cada gesto, cada olhar,
Mais do que ao mirar o meu umbigo.
Há todo um mundo que me sorri
Nas ocorrências como nas pessoas
Que mostram que há caminho ali
Recheado de iguarias e coisas boas.
A vida revela encanto à flor da pele
Ao olhar atento e sem preconceitos,
Que transforma gestos em puro mel
E faz das obrigações outros direitos.
Os outros, sempre os outros, a ver
Com olhar sôfrego para a acusação,
Sentem neles um mórbido prazer
De celebrarem a fraqueza e perdição.
Onde vejo a flor, veem eles espinho
Sorriem quando vivo em cruel luto,
Espalham as pedras do meu caminho
Como se me iludisse quanto ao fruto.
Eu, porém, sigo na minha estrada
Sem dar ouvidos a velhos do Restelo:
Busco o Sumo Bem sem pedir nada,
Está ao meu alcance e quero vê-lo.
Compreensivo com fraquezas alheias,
Cansado de tomar a todos como iguais,
Enquanto correr o sangue nestas veias
Só vou abrir a porta aos amigos leais.
Os outros, como quaisquer cães vadios,
Ficarão de fora a destilar o seu veneno,
A tecer a teia da morte com os seus
fios,
Parabéns 👏👏.
ResponderEliminarEntendo a poesia como sonoridade de ideias e sentires. Gostei. Abraço
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