INTROSPEÇÃO

Onde estão as borboletas que canto,

As aves canoras para som de fundo?

Onde se escondeu o vento, esse santo,

Sempre apressado em volta do mundo?

 

Onde correm os rios de águas claras,

Os mares que via sempre serenos?

Os altivos montes e as obras raras

O espaço para grandes e pequenos?

 

Onde estão os amigos que via antes

Como se houvesse amizade eterna?

Ficámos cada vez mais distantes:

Nem sequer nos vemos na taberna.

 

Sinto a ausência dos que vi partir,

De quem amava e partiu para o céu…

Com eles via-me sempre a conseguir,

Eram ganhadores sem haver troféu.

 

Ao ouvir sozinho o que vai na alma

Sinto que a vida me foi generosa:

Há horas de luta e outras de calma,

A evitar espinhos no caule da rosa. 

Júlio Fagus (27/7/2025)

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