OS OUTROS

Quase sempre o mais dotado

Busca um lugar bem no fundo

Porque acredita que ao lado

Há alguém, senhor do mundo.


Quem não tem valor tem lata,

Conhece os atalhos e as pistas

Veste o melhor fato e gravata

E eis que pode dar nas vistas.


Pobre de quem dos tamancos

Se sente homem de coragem

Largam-nos e ficam nos bancos

Terminam ali mesmo a viagem.


Esta gente cresce aos pares

Muito mais do que cogumelos

E quando não vive nos ares

Passa a viver nos castelos.


Pessoas esforçadas e honestas

Estão sempre tão ocupadas

Falta-lhes tempo para festas

Falam do fundo das escadas.


O seu nome, ninguém sabe,

São como heróis sem rosto

Sempre aos comandos da nave

Especialistas no seu posto.


A história faz-se de vultos

Apostos para a fotografia

Pouco importa se são cultos

Brilham como a luz do dia.


Aquilo que mais consola

A quem exerce o poder

É atirar tudo para a escola

Menos ensinar e aprender.


Falta pouco, meus senhores,

Para estarmos todos felizes:

Começa pelos professores

Logo pode atingir os juízes.


Se os médicos têm sorte,

Que vão falando baixinho

Porque a sentença de morte

Bem pode estar a caminho.

Júlio Fagus (24/4/2025)

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