FORÇA AÍ

 As lágrimas que tu choras

E que regam a sepultura

São eternidade nas horas

Que amacia a terra dura.


Virou-se o mundo às avessas

Ao veres partir quem amavas?

Será por outras e por essas 

Que saíste de onde estavas?


Se o mundo anda para trás

E um homem não aguenta,

Lembra-te que é mais eficaz

O choro do que água benta.


Até os corações mais duros

Se dobram à morte dos pais,

O que diremos dos puros?

Eis que sofrem muito mais.


Se algum dia vires chorar

Quem tu menos suporias

Respeita-o no seu penar

A vida tem destes dias.


Estou contigo na tristeza

E quero estar na alegria

Pois que até a natureza

Tem a noite e tem o dia.


Se tens uma hora perdida

Para te ocupar do passado

Recorda só o bom da vida

E esquece todo o pecado.


Há homens tão pervertidos

De horizontes tão estreitos

Que deleitam os sentidos

A olhar os seus defeitos.


Mas tu que olhas em frente

Em busca do teu lugar

Nasceste para ser gente

E hás de ainda lá chegar.


Com tempo e persistência

Sem desistir no caminho

Com alguma paciência

Vai mesmo devagarinho.


Se ouvires a voz da morte

Vinda lá da terra fria,

Podes até estar com sorte

Principalmente se for de dia.

Júlio Fagus (16/4/2025)

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