NOITE
Não vejo a estrada aberta
Por onde queria avançar
Mas sinto que a fome aperta
Quero as estrelas e o luar.
Pedi essa graça em prece
Ao sol que anda e não para
Para que acorde e apresse
A lua cheia e a noite clara.
Ouviu-me tão sem rancores
Que logo percebi que viria
A lua com seus favores
Fazer da noite claro dia.
Há fadas e estou a vê-las
Em cujos braço adormeço
É hotel de muitas estrelas
Só posso pagar este preço.
Avança tão sem espavento
Que mal se nota que avança
Haver noite no pensamento
É pior que espada ou lança.
Há brilho nas noites escuras
Trevas nas longas esperas…
Queres o sol e até procuras
Entre estrelas as quimeras.
Tenho o sol no dia claro,
Estrelas na noite estrelada
Quando há luar nem reparo
Que o ver não custa nada.
Nunca fui dado aos destinos
Nem a horóscopos de jornais
Porém como os bons meninos
Vou cedendo cada vez mais.
Há coisas que quero e posso
Outras que posso e maltrato
O que o fado diz que é nosso
Coloca-no-lo o fado no prato.
Não me venhas com crenças
Em presságios e superstições
Muitas vezes as parecenças
Só nos levam a confusões.
Tenho definido pelos fados
O caminho que hei de andar
Estão por todos os lados
No céu, na terra e no mar.
Ando atento pelas estradas
Sem ter bússola nem mapa
Em busca de pequenos nadas
Por entre o tempo que escapa.
Encontro sinais de alerta
Que me pedem serenidade
Como se uma porta aberta
Fosse a entrada na cidade.
Júlio Fagus (14/2/2025)
Parabéns por mais estas magníficas quadras.
ResponderEliminarUm abraço