CONTIGO

Ouço a oração das estrelas ao deitar

E associo os salmos delas aos meus

Naquela comunhão cósmica ao luar

Em que se irmanam crentes e ateus.

 

Naquela paz que nos alenta a alma

Com a melopeia que enche o espaço

Vamo-nos moldando com esta calma

E cingimos o mundo no forte abraço.

 

Há sempre qualquer coisa que escapa

A esse abraço e à nossa compreensão

E continuamos a encarar cada etapa

Como uma boa oportunidade e ocasião

 

Faço tentativas para descobrir o sentido

De cada enigma que me surge à frente,

Se num labirinto me encontrar perdido

Mantenho-me calmo se ali vir mais gente.

 

És minha companheira e eu sou teu

Fazemos o mesmo caminho há anos

Foram rosas de excelência o que deu

A paixão ardente que nos deixa ufanos.

Júlio Fagus (9/4/2025)

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